A aceitação da tecnologia da informação pela área contábil

Lieda Amaral Souza

lieda@dsi.uminho.pt

Universidade do Minho – UM, Guimarães, Portugal

Mykeila Janaina Pereira Batista Munay da Silva

mykeilamunay@gmail.com

Universidade Potiguar – UnP, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil

Tarciana Aline Morais Vieira Ferreira

tarciana_vieira@yahoo.com.br

Universidade Potiguar – UnP, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil


RESUMO

As tecnologias de informação e comunicação (TIC) na área contábil assumem papel relevante e refletem o avanço na profissão do contador. A contabilidade aliada à TIC proporciona mais agilidade na realização dos registros contábeis e no gerenciamento das atividades empresariais. A TIC é, na atualidade, uma das ferramentas fundamentais para facilitação do processamento de dados contábeis. O Modelo de Aceitação Tecnológica (TAM) é amplamente utilizado para avaliar o nível de adoção de TIC. Os fundamentos do TAM expressam que os indivíduos tendem a adotar determinada tecnologia a partir da facilidade percebida de uso e do valor de sua utilidade percebida. Esta pesquisa de campo utilizou um questionário com 16 perguntas fechadas estruturada como escala do tipo Likert com 7 pontos, os dados foram tratados e avaliados por meio de Modelagem de Equações Estruturais, utilizando-se o software SmartPLS 3.2.1 com o objetivo de analisar a aceitação tecnológica no ambiente contábil. Os achados da pesquisa revelam que os indicadores que predizem o constructo da intenção comportamental são adequados para explicar 32,3% do modelo e o uso atual do sistema apresenta um poder de esclarecimento em torno de 23,9% por meio de constructos que preveem este comportamento.

Palavras-chave: Tecnologia da Informação; Contabilidade; Modelo de Aceitação Tecnológico (TAM)


INTRODUÇÃO

A história da contabilidade sempre esteve associada à evolução das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Com o advento das TIC como instrumento de trabalho, o profissional da contabilidade mudou a forma de executar as tarefas e adequou-se às mudanças ocorridas no cenário empresarial. A contabilidade prima por fornecer informações tempestivas e relevantes, em consonância com as reais necessidades dos clientes; assim, a TIC é um recurso estratégico ao profissional contábil, posto que proporciona mais agilidade nos lançamentos e nos processamentos das informações e, consequentemente, na comunicação aos seus clientes.

As TIC trouxeram grandes avanços para a sociedade em geral, inclusive para a área contábil, contribuindo, também, para a valorização desta profissão. Para se manter no mercado, o profissional deve se aperfeiçoar constantemente nas novas ferramentas utilizadas no mercado no qual se insere, adaptando-se aos novos conceitos, métodos e tecnologias. Há algum tempo, o contador era tido como um profissional que meramente realizava cálculos e preenchia formulários para atender ao fisco. Porém, este cenário tem ficado cada vez mais distante da atual realidade.

Diante das mudanças no ambiente tecnológico, o profissional contábil deverá mostrar-se permanentemente atualizado, de forma a prover seus clientes de informações fidedignas e tempestivas. Ante a este cenário, apresenta-se o seguinte questionamento: Qual a influência que as novas tecnologias digitais exercem sobre o ambiente profissional contábil e qual o nível de aceitação destas por estes profissionais?

O objetivo geral do estudo foi analisar o grau de aceitação e utilização efetiva de novas tecnologias digitais pelos contadores, usando como parâmetro o Modelo de Aceitação Tecnológica (TAM). O estudo inova ao tentar compreender os impactos e as melhorias relativas às mudanças tecnológicas que vem ocorrendo ao longo do tempo na contabilidade, procurando detectar as razões que contribuem para a aceitação e o uso de novas TIC.

A pesquisa buscou retratar as dificuldades que o profissional contábil tem enfrentado para poder se adequar às inovações tecnológicas, as quais trouxeram mais facilidade e comodidade para o exercício profissional dos contadores. O tema se justifica por contribuir para o meio acadêmico no que diz respeito ao conhecimento do nível de aceitação de novas tecnologias pelos profissionais da contabilidade, já que com o uso de recursos tecnológicos, as modernizações digitais poderão trazer melhorias para o desempenho das suas atividades.

REFERENCIAL TEÓRICO

A contabilidade e as tecnologias

A TIC proporciona mais agilidade no registro dos fatos contábeis e no gerenciamento das atividades empresariais. O desenvolvimento tecnológico fez surgir inúmeras ferramentas que facilitaram o trabalho dos contadores, trazendo mais rapidez e qualidade na produção de informações e aumentando o nível de transparência do processo decisório. Tais recursos tecnológicos ajudaram a maximizar a principal função do contador, que é a geração de informação (Martins et al., 2012).

O uso de TIC é fundamental para facilitar o processamento de dados contábeis e também para oferecer confiança e eficiência na prestação de serviços auxiliares ao gerenciamento das atividades empresariais (Sá, 2006). De acordo com o exposto por Martins et al. (2012), a atuação do profissional contábil é um fator importante no processo de evolução da contabilidade e no crescimento das tecnologias relacionadas à profissão, posto que, paralelo ao desenvolvimento da profissão e das exigências governamentais, maiores são os investimentos em recursos para facilitar as atividades e agregar valor ao serviço prestado.

Ao longo da história os contadores tiveram que rever seus procedimentos e vivenciar momentos de transição, em que a fase mecânica foi substituída pela técnica e, logo em seguida, pela fase de inserção de tecnologias digitais. Desde então, o contador tem procurado exercer um papel cada vez mais distante do antigo papel do guarda-livros. Diante dessa nova realidade, o profissional contábil deve estar em constante evolução e qualificação, tornando-se um agente de mudanças no mercado, capaz de transmitir informações de qualidade que auxiliem no processo decisório das empresas (Marion, 2005).

O termo Tecnologia da Informação (TI) se define para escolha do conjunto de recursos tecnológicos e sistema computacional, uso da informação e dos grupos não humanos destinados ao armazenamento, processamento e comunicação desta informação, de modo como são organizadas em um sistema que possa executar um conjunto de tarefas, conforme descrevem Borges et Miranda (2011).

A TI pode ser entendida como um conjunto de atividades e soluções que permitem a obtenção, o armazenamento, o acesso, o gerenciamento e o uso das informações. Nesse sentido, a tecnologia trouxe aos contadores uma visão diferente: deixaram de lado as pilhas de livros e papéis e passaram a substituí-las por procedimentos e rotinas automatizadas com armazenamento digital. O surgimento da internet fez com que as distâncias fossem eliminadas, contatos que levavam horas ou até dias para acontecer reduziram-se para segundos. Com isso, facilitou e agilizou a comunicação trazendo melhorias para o dia a dia profissional.

Atualizar o parque tecnológico é hoje uma medida fundamental à competitividade empresarial. Portanto, o contador deve encarar a tecnologia da informação como uma estratégia para seu negócio, pois ela afeta diretamente a sobrevivência das organizações (Nunes, 2009). Segundo Ghasemi et al. (2011), as TI criaram benefícios significativos para os departamentos de contabilidade. Com efeito, as redes e sistemas informáticos têm diminuido o tempo necessário para os profissionais da contabilidade prepararem e apresentarem as informações financeiras para a gestão e partes interessadas. A utilização destas novas tecnologias melhorou, também, a eficiência e precisão da informação. Elas representam uma porta de entrada para uma nova era dominada por aplicativos com alto grau de inteligência, sendo também capazes de facilitar a procura de informações como suporte para a tomada de decisão (Ionescu et al., 2009).

Os avanços tecnológicos, na área contábil, estão em ritmos acelerados e as inovações crescem a cada dia, com isso, melhora o serviço prestado aos clientes. A contabilidade passou a trabalhar com números mais precisos e aparentemente os erros tornaram-se cada vez menores. A automação da contabilidade trouxe vantagens, tais como o aumento da produtividade e melhoria da qualidade dos serviços prestados e consequente elevação do nível de segurança das informações. As TI têm sido apontadas como um dos componentes mais significativos do ambiente empresarial atual, e as instituições brasileiras as têm utilizado abundantemente, tanto em nível estratégico, como operacional (Albertin et Albertin, 2008).

Bazzotti et Garcia (2006) reconhecem que os sistemas de informações são classificados conforme sua aplicabilidade e quanto ao retorno obtido no processo de tomada de decisão. Os sistemas de apoio às operações têm por atribuição fiscalizar as atividades, processos e atualizar banco de dados, para, assim, fornecer as informações necessárias. Os sistemas de apoio gerencial têm a finalidade principal de proporcionar informações para o desenvolvimento na tomada de decisões.

Com o uso contínuo de recursos tecnológicos e de sistemas de informação, os contadores tornaram-se essenciais para acompanhamento e monitoramente das atividades, melhorando a qualidade dos serviços prestados. O sistema de informação contábil para ser considerado útil deve atender a empresa em suas necessidades operacionais e gerenciais, transmitindo informações a todos os setores e conectando-os aos processos da empresa. Perante o avanço das tecnologias digitais, as possibilidades da utilização da contabilidade vêm aumentando significativamente, tornando-se indispensáveis as informações sobre todos os setores, atividades e funcionários da organização (Cotrin et al., 2012). Tal integração hoje é possível graças aos avanços percebidos nas TIC voltadas à prestação dos serviços contábeis.

Tarefas que antes levavam dias para serem executadas são realizadas em fração de segundos e com uma expressiva redução de erros e de custos ao operador dos serviços. Com o advento das TIC, surgiu a necessidade de estabelecer mecanismos que pudessem medir o seu grau de aceitação pelos profissionais do mercado. A seção seguinte apresenta o Modelo de Aceitação Tecnológica (Tecnhology Acceptance Model - TAM) idealizado por Davis et al. (1989), o qual fundamentará o modelo teórico proposto neste estudo.

Modelo de Aceitação Tecnológica (TAM)

O desenvolvimento do TAM se originou de um acordo firmado com a IBM Canadá e o Massachusetts Institute of Technology (MIT), na década dos anos 1980, para avaliar a potencialidade do mercado para novos produtos da marca e identificar o que determinava o uso dos equipamentos (Davis et al., 1989). O TAM foi idealizado para compreender a semelhança correspondente entre variáveis externas de aceitação dos usuários e o uso efetivo do computador, buscando uma melhor compreensão do comportamento do usuário por meio do entendimento da utilidade e da disposição de utilização compreendida por ele (Davis et al., 1989). O TAM é o método de pesquisa utilizado para avaliar a aceitação de tecnologias de informação proposto por Davis et al. (1989), com o objetivo de explicar os motivos que levavam os usuários a aceitar ou rejeitar determinada tecnologia.

Os fundamentos do TAM indicam que a tendência de um indíviduo em manusear um determinado sistema norteia-se por dois princípios: a facilidade percebida de uso e a utilidade percebida; ambas mediam completamente os efeitos das variáveis externas, como características do sistema, método de crescimento, capacitação e com plano de uso (Davis et at., 1989). A utilidade percebida de uso refere-se ao estágio em que uma pessoa reconhece que o uso de um sistema privativo é capaz de aperfeiçoar seu comportamento. E a facilidade percebida de uso, é um estágio em que uma pessoa reconhece que o uso de um sistema de informação acontecerá independente de seu esforço pessoal.

Conforme explicam Maia et Cendón (2005), existem razões que também prejudicam a conduta do usuário, como as habilidades técnicas específicas de utilização dos sistemas, do mesmo modo que o contexto e o espaço onde a pessoa desenvolve o uso. Em uma averiguação junto aos usuários de comércio eletrônico, Gefen (2003) considera a existência de uma outra variável independente no modelo TAM, o hábito, decorrente da experiência que o usuário acumula em relação à utilização de um sistema de informação. O referido autor propõe que a finalidade de uso para uma nova tecnologia é um produto primário da análise racional das respostas percebidas pelos constructos utilidade percebida e facilidade de uso percebida. Segundo Gefem (2003), quando as pessoas adquirem a experiência, a força do hábito dita a maioria dos comportamentos intencionais, ou seja, o comportamento anterior repetitivo tende a influenciar o comportamento atual, independentemente de uma avaliação racional.

O estudo desenvolvido por Diniz et al. (2016) elimina a razão do objetivo de uso e inclui o padrão de autoeficiência no uso do computador (AEC); Costa Filho et al. (2007) analisaram as implicações do constructo “hábito” em sua investigação; Shin (2012) inseriu quatro aspectos de qualidade – chamada, serviço, mobilidade e cobertura; (Fernandes et Ramos, 2012) acrescentaram os constructos confiança, risco percebido e influência social; (Moraes et al., 2014) acrescentaram os constructos ansiedade, facilidade de acesso, habilidade com o celular, diversão e compatibilidade; e demais pesquisas que foram efetuadas em inúmeras áreas.

Modelo Conceitual

Esta pesquisa adota o TAM como modelo conceitual, último modelo apresentado por Davis e Venkatesh (1996). Esse modelo reconhece que para existir uma resposta comportamental é essencial existir uma intenção, porém, esta intenção resulta de retorno intelectual ou convicções, e esta, por sua vez, consiste de motivações externas.

Descrevendo um fato real, Venkatesh et Davis (2000) explicam que as motivações intrínsecas são as variáveis externas, as respostas intelectuais são a utilidade percebida e a facilidade de uso percebida, a intenção são as intenções comportamentais, ao mesmo tempo em que a resposta comportamental é determinada como o uso atual do sistema.

O TAM parte do pressuposto que a intenção comportamenal antecede o uso atual e real de um sistema. Nesta situação, as consequências das variáveis externas na intenção comportamental são interferidas pela utilidade percebida e pela facilidade de uso percebida (Venkatesh et Davis, 2000; Venkatesh et al., 2003).

Dessa maneira, reconhecem que a utilidade percebida e a facilidade de uso percebida influenciam a intenção comportamental de uma pessoa em utilizar um sistema e, por consequência, atinge o uso real do sistema (Davis et Venkatesh, 1996), conforme apresentado na figura 1.

Figura 1. Modelo de Aceitação Tecnológica - TAM

Figura

Fonte: Elaborado a partir de Davis et al. (1989)

METODOLOGIA DA PESQUISA

Trata-se de pesquisa descritiva, uma vez que procura investigar as relações existentes através dos constructos capazes de influenciar a intenção de utilizar a tecnologia da informação. A pesquisa de caráter descritivo possui como objetivo retratar características de um determinado grupo, procurando investigar a relação entre as varáveis e os constructos do modelo conceitual por meio de uma técnica estruturada de coleta e análise de dados. Primeiramente, procurou-se identificar, analisar e classificar artigos científicos que tratam do tema relacionado à importância da TIC na área contábil. A pesquisa descritiva possui como finalidade observar os fatos, descrever as características de determinada população, registrá-las, analisá-las, classificá-las e compreendé-las ou ainda estabelecer relações entre as variáveis em estudo (Beuren et al, 2006).

Busca-se evidenciar, para os profissionais de contabilidade, o quanto a TIC é importante para o crescimento e desenvolvimento das atividades em escritórios contábeis, maximizando o tempo, fornecendo informações tempestivas, e auxiliando nas tomadas de decisões dentro e fora das organizações. Segundo Nunes (2009), a tecnologia da informação é hoje uma medida fundamental à competitividade empresarial. Portanto, o profissional contábil deve ver a tecnologia da informação em termos estratégicos, por ser um recurso que afeta diretamente a sobrevivência das organizações.

Utilizou-se a abordagem quantitativa, dada a necessidade de quantificar e utilizar técnicas estatísticas, tanto na coleta quanto na análise dos dados. Além do mais, a abordagem quantitativa é usada em pesquisa de caráter descritiva que visam diferenciar a relação entre variáveis e a coincidência entre fenômenos (Malhotra, 2012; Beuren et al, 2006). Esta pesquisa utilizou um questionário com 16 perguntas fechadas, com o objetivo de analisar a aceitação tecnológica no ambiente contábil, o qual foi elaborado por meio do Google Docs. Malhotra (2012) descreve que um questionário possui três objetivos: demonstrar um conjunto de perguntas de modo a atingir a informação esperada; causar e entusiasmar o pesquisado para que o mesmo se envolva absolutamente com a pesquisa; reduzir o erro da resposta. Utilizou-se a escala de Likert com 7 pontos, organizada em intervalo de 1 a 7 (Discordo plenamente – Concordo plenamente), de acordo com o utilizado pelo autor das escalas (Davis et al., 1989). Likert et al. (1993) afirmam que sua escala é uma técnica simples de distribuir pontos em escalas de ações, uma vez que não abrange o uso de um conjunto de juízes, mas se baseia em diversas amostragens a fim de que seja mais confiável do que a técnica original.

A pesquisa de campo foi realizada durante os meses de julho a setembro de 2016, e como instrumento de coleta de dados optou-se por questionários para analisar o índice de aceitação tecnológica por parte dos profissionais da área contábil. O questionário também foi disponibilizado em grupos de contadores nas redes sociais (Facebook) e compartilhado com os contadores da rede de contato dos pesquisadores por e-mail.

Foram consideradas as seguintes variáveis da pesquisa distribuídas nos respectivos constructos apresentados no modelo conceitual anteriormente exposto.

Figura

Legenda - UP: utilidade percebida; FUP: facilidade de uso percebida; IC: intenção comportamental; UAS: uso atual do sistema

As hipóteses adotadas foram aquelas específicas do TAM, quais sejam:

H1: A facilidade de uso percebida influencia positivamente a utilidade percebida.

H2: A facilidade de uso percebida influencia a intenção comportamental.

H3: A utilidade percebida influencia positivamente a intenção comportamental.

H4: A intenção comportamental influencia positivamente o uso atual do sistema.

Os dados coletados foram analisados por meio da modelagem de equações estruturais de forma a mensurar, estatisticamente, a ligação efetiva entre os constructos do modelo. Essa estrutura também é considerada como análise de caminhos hipotético de relações entre um conjunto de variáveis, que é empregada para a identificação e análise de correlação entre as variáveis latentes. Este procedimento permite diversos benefícios, entre eles a probabilidade de abranger em seu modelo a aplicação de uma estrutura mais aprofundada contendo as variáveis latentes (não medidas diretamente) e variáveis observáveis (indicadores das variáveis latentes), além de proporcionar a análise ao mesmo tempo de um grupo de analogia (Hwang et al., 2010; Hair et al., 2009).

O procedimento de modelagem de equações estruturais por meio da técnica PLS mostra a hipótese e preparação de dois modelos diretamente associados. O primeiro modelo retratando as variáveis latentes, ou constructos, constitui o modelo e a relação junto dos constructos e suas variáveis, quer dizer, os critérios que possibilitam estimar os constructos. O segundo modelo corresponde à relação de qualidade entre os constructos e o poder de esclarecimento existente no modelo.

McDaniel et Gates (2003) garantem que as análises estatísticas são usadas para diminuir e evidenciar dados que possibilitem o entendimento e admita que se verifiquem as relações entre as variáveis. Malhotra (2012) admite que existe uma técnica de análise de dados que representa a escolha dos questionários perfeitamente preenchidos e aceitáveis, a criação dos dados alcançados e a sua reprodução.

RESULTADOS

Os dados coletados foram tratados e avaliados por meio do programa estatístico SmartPLS 3.2.1 na Modelagem de Equações Estruturais para formação de dados de avaliação geral do modelo e das informações tratadas. Para continuar com o procedimento dos dados, foi gerado o modelo estrutural do projeto no SmartPLS, conforme evidenciado na figura 2. No modelo, os constructos de utilidade percebida, facilidade de uso percebida, intenção comportamental e o uso atual do sistema encontram-se ligadas com suas respectivas variáveis iniciais.

Figura 2. Modelo estrutural ajustado – SmartPLS.

Figura

Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Legenda - UP: utilidade percebida; FUP: facilidade de uso percebida; IC: intenção comportamental; UAS: uso atual do sistema

Posteriormente à execução do cálculo do algoritmo PLS, o primeiro critério verificado foi o coeficiente de inflação de variância (Variance Inflation Factor – VIF). Este coeficiente analisa a multicolinearidade dos dados, cuja presença seria capaz de gerar resultados exorbitantes ou incorretos; o resultado ideal seria um valor do VIF abaixo de 3.3. A verificação inicial dos dados apresentou um VIF satisfatório, como evidenciado na tabela 1, cujos valores alcançados para o VIF atenderam aos critérios recomendados por Kock (2015).

Tabela 1. Fator de inflação da variância (VIF)

Figura

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

Legenda - UP: utilidade percebida; FUP: facilidade de uso percebida; IC: intenção comportamental; UAS: uso atual do sistema.

Na sequência foram efetuados ajustes ao modelo inicial, eliminando-se as variáveis com menores cargas fatoriais em três interações. Foram excluídas do modelo as variáveis UP2 e FU2; IC2 e UAS1. Com a eliminação dessas quatro variáveis conseguiu-se valores de Variância Média Extraída (AVE) acima do parâmetro recomendado por Ringle et al. (2014) de 0,50. Na tabela 2 são demonstrados os valores finais dos critérios de qualidade de ajuste.

Tabela 2. Critérios de qualidade modelo ajustado

Figura

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

Legenda – AVE: Variância Média Extraída

A validade discriminante do modelo consiste em comparar as AVE individuais com a raiz quadrada (correlação de Pearson) da AVE de cada constructo (Ringle et al., 2014). Os respectivos valores estão evidenciados na tabela 3.

Tabela 3. Validade discriminante

Figura

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

Legenda - UP: utilidade percebida; FUP: facilidade de uso percebida; IC: intenção comportamental; UAS: uso atual do sistema

Foram examinados, então, os coeficientes de caminho (CC) do modelo hipotético. Esse índice apresenta as relações hipotéticas por meio dos constructos, e divergem de -1 a +1. No momento em que os valores estão aproximados de +1, conjectura-se as relações fortemente favoráveis e os mais próximos de -1 encontram-se em uma relação negativa. Normalmente os valores adjuntos de -1 e +1 são estatisticamente relevantes (Hair et al., 2009). A tabela 4 apresenta os CC identificados no modelo após os ajustes.

Tabela 4. Coeficiente de caminho

Figura

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

Legenda - UP: utilidade percebida; FUP: facilidade de uso percebida; IC: intenção comportamental; UAS: uso atual do sistema

Em prosseguimento, foram avaliados os níveis de relação entre as variáveis da amostra. Na tabela 5 são demonstrados os resultados, abrangendo os valores alcançados para cada uma das variáveis.

Tabela 5. Análise de relação entre as variáveis

Figura

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

Legenda - UP: utilidade percebida; FUP: facilidade de uso percebida; IC: intenção comportamental; UAS: uso atual do sistema

Da leitura da figura 3 conclui-se que as hipóteses H1 (a facilidade de uso percebida influencia positivamente a utilidade percebida), H3 (a utilidade percebida influencia positivamente a intenção comportamental) e H4 (a intenção comportamental influencia positivamente o uso atual do sistema) foram confirmadas por apresentar coeficiente maior que 1,96, o que indica significância estatística. Porém, a hipótese H2 (a facilidade de uso percebida influencia a intenção comportamental), não foi confirmada.

Na figura 3 estão evidenciados os níveis de significância entre os constructos, obtidos por meio do módulo bootstrapping do SmartPls 3.2.1. Foi calculado o t-Statístico para cada relação (estatisticamente significativos quando apresentam valores superiores a 1,96).

Figura 3. Modelo estrutural do projeto - SmartPLS

Figura

Fonte: Dados da pesquisa (2016).

Legenda - UP: utilidade percebida; FUP: facilidade de uso percebida; IC: intenção comportamental; UAS: uso atual do sistema

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O propósito deste trabalho foi analisar o nível de aceitação das TIC pelos contadores. Foi possível notar que a profissão do contador teve a fase mecânica substituída pela técnica e, logo em seguida, pela fase da tecnologia. Diante da nova realidade, o profissional contábil esteve em constante evolução e qualificação, sendo capaz de transmitir informações de qualidade auxiliando no processo decisório das empresas.

Esta pesquisa procurou responder a seguinte indagação: qual a influência que as novas tecnologias exercem sobre o ambriente profissional contábil? Para tal, foi feita uma pesquisa de campo e os dados coletados passaram por um procedimento estatístico por meio de modelagem de equações estruturais, aplicando o processo de mínimos quadrados parciais.

O objetivo do estudo foi possibilitar a análise desse convívio e foi plenamente a atingido na medida em que foi possível averiguar o grau de aceitação e utilização efetiva de novas tecnologias digitais pelos contadores, por meio do uso do TAM.

Observou-se que as consequências práticas retiradas deste trabalho de campo apontam indícios reais de relacionamento entre os constructos para explicar a intenção e o uso atual de um sistema por parte dos contadores. Os resultados estatísticos confirmaram que o modelo conceitual proposto, apresentou-se apropriado para explicar a intenção e o uso atual do sistema. Os constructos endógenos da utilidade percebida, intenção comportamental e o uso atual do sistema tiveram coeficiente de determinação (R² ajustado) para o modelo proposto de 0,155, 0,323 e 0239, respectivamente. Com base nesse resultado, conclui-se que os indicadores que predizem o constructo da intenção comportamental são adequados para explicar 32,3% do modelo e o uso atual do sistema apresenta um poder de esclarecimento em torno de 23,9% por meio de constructos que preveem este comportamento. Dessa maneira, os resultados confirmaram que o modelo conceitual proposto se apresenta apropriado para esclarecer a intenção e o uso atual do sistema.

Os resultados alcançados nesta pesquisa são capazes de colaborar com os profissionais da área contábil, posto que enfatiza a importância que a TIC exerce sobre a contabilidade. A pesquisa contribui no âmbito acadêmico para uma melhor compreensão acerca dos fatores que influenciam a adoção de novas tecnologias pelos contadores e dos seus impactos sobre a intenção e o uso atual do sistema na área contábil. Por fim, sugere-se estudos mais aprofundados sobre o TAM para identificar fatores que influenciam a intenção e o uso atual de sistemas de informações em outras categorias profissionais.


REFERÊNCIAS

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Recebido: 08 abr. 2015.

Aprovado: 11 out. 2017.

DOI: 10.20985/1980-5160.2017.v12n4.1239

Como citar: Souza, L.A.; Silva, M.J.P.B.; Ferreira, T.A.M.V. (2017), “A aceitação da tecnologia da informação pela área contábil”, Sistemas & Gestão, Vol. 12, No. 4, pp. 516-524, disponível: http://www.revistasg.uff.br/index.php/sg/article/view/1239 (acesso: dia mês abreviado ano).