Tecnologia de Armazenamento Geológico de Dióxido de Carbono: Panorama Mundial e Situação Brasileira

George Batista Câmara, José Célio Andrade, Paulo Vieira Rocha

Resumo


As análises científicas e discussões quanto ao efeito das emissões antrópicas de Gases de Efeito Estufa (GEE)
e suas consequências nas alterações do clima ganharam notoriedade pública nas últimas décadas. A necessidade de
ações mundiais direcionadas ao combate do aquecimento global, decorrente das emissões antrópicas de GEE, tem
movimentado tanto o setor público quanto o setor privado. A relação meio ambiente e economia foi um assunto discutido
desde a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Humano, realizada em Estocolmo, em 1972. Devido
à relação produção/consumo/meio ambiente, o setor privado é um dos maiores interessados nas questões referentes à
Governança Ambiental Global (GAG). Quanto às mudanças climáticas, embora as evidências científicas aumentem,
as respostas políticas têm tido, até agora, pouco ou nenhum impacto sobre a acumulação de emissões. A tecnologia de
Captura e Armazenamento do Dióxido de Carbono (CO2) em Reservatórios Geológicos (CCS) é apontada, a curto e
médio prazo, como uma das principais ações de mitigação de GEE. Para o incentivo do seu uso em larga escala, estão
disponíveis recursos internacionais e outros oriundos do mercado de crédito de carbono voluntário. Outro mecanismo
de incentivo para o seu uso é o mercado de crédito de carbono regulado, entretanto, o CCS ainda não teve nenhuma
metodologia de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) aprovada. O mundo já conta com diversas instituições
desenvolvendo pesquisas na busca do domínio desta tecnologia. O objetivo principal deste artigo é apresentar um
panorama mundial da tecnologia de armazenamento geológico do CO2 analisando a situação dessa tecnologia
no Brasil. A metodologia deste artigo é composta da pesquisa exploratória, descritivo-analítica sobre o tema que
privilegia estratégias e técnicas de pesquisa qualitativa e quantitativa. Para a coleta e análise dos dados secundários,
foram utilizados recursos tradicionais de pesquisa. Inicialmente, foi revisada a literatura sobre a tecnologia CCS.
Complementarmente, foi realizada análise de documentos institucionais, como relatórios, estudos e projetos. Os dados
primários foram coletados através de consultas a especialistas. Como resultados, o artigo apresenta o posicionamento
de diversos países quanto a inserção do CCS no âmbito do MDL, mais especificamente a posição do Brasil, a situação
atual da estrutura de pesquisa na tecnologia CCS no Brasil, os principais motivos para investir nesta tecnologia
no Brasil e por fim a identificação das lacunas existentes para o estabelecimento de um ambiente mais favorável ao
domínio da tecnologia. Conclui-se que o Governo do Brasil tem estado ausente nas ações estruturantes relativas ao
CCS, deixando a cargo do setor privado conduzir o desenvolvimento e domínio da tecnologia CCS.

Palavras-chave


Armazenamento Geológico de CO2; CCS; MDL; Crédito de Carbono

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DOI: https://doi.org/10.7177/sg.2011.V6.N3.A2

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